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Kenner apresenta projeto ‘Eu vim de lá’ em desfile inédito na Casa de Criadores

Cinco marcas independentes representaram as periferias brasileiras na passarela

A Kenner segue construindo histórias no mundo fashion ao apresentar o projeto “Eu vim de lá” na Casa de Criadores 57, em São Paulo. Nesta quarta-feira (10), levou à passarela cinco marcas independentes nascidas em periferias de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa começou em setembro deste ano com o primeiro concurso de moda da Kenner, realizado no Museu de Arte do Rio e inspirado na trajetória de Anitta, artista criada em Honório Gurgel, na Zona Norte da cidade.

“Cada marca e cada estilista traz uma história singular, com sonhos, desafios, coragem para expandir e resiliência. É justamente isso que evidenciamos desde a criação do ‘Eu vim de lá’, relevando potências que representam a moda em suas diversas expressões. Mostrar o projeto na Casa de Criadores, espaço que reúne tantos talentos, é muito importante para a Kenner”, comenta Lucas Rodrigues, coordenador de branding, estratégia e cultura de marca.

Representando a Bahia, a iLoostre, vencedora do concurso no Rio, enalteceu a ancestralidade e fez referência às cores da bandeira de seu estado, adicionando o marrom das peles retintas e o prateado das jóias crioulas que inspiram o trabalho. O primeiro look foi desenvolvido artesanalmente com os acessórios da marca, se conectando à Kenner por meio da mesma obra manual que deu um toque personalizado às sandálias.

Loo Nascimento, fundadora da marca, explica que sua essência está presente no metal, nos pingentes e em seus variados tamanhos e significados. “Nossa origem também está no som dos balangandãs pendurados nas peças, no crochê feito por mainha e nas referências ancestrais da nossa pesquisa, que trata sobre as primeiras pessoas negras a empreender no Brasil.”

Identidade de cria

O subúrbio carioca vai além no desfile com a presença da .pormenor, que traz sua visão de arte e cultura. A etiqueta representou o Carnaval ao homenagear os bate-bolas, reconhecidos como Patrimônio Cultural do Rio, e os gorilas de saco. A apresentação também trouxe o futebol para a moda, reforçando a mensagem de que é um dos esportes mais democráticos.

“A .pormenor é uma marca essencialmente suburbana, nascida e criada na Zona Norte do Rio. Logo, cada look ajuda a contar um pedaço dessa história tão rica que temos por aqui. Muitos elementos que trazemos no desfile representam nossa formação como artistas da moda e remetem diretamente às nossas vivências na cidade”, diz o fundador Bernardo Cordeiro.

A carioca Èssis se inspirou no passado da mãe de um dos fundadores, Miguel Èssis. Na década de 1970, Dona Emília tinha o sonho de trabalhar com moda, mas desistiu por medo de dar errado. A coleção, então, revisita desenhos e crochês feitos por ela. “Trouxemos a memória familiar, a modelagem totalmente nova e, como forma de protesto, apresentamos o jacquard como um tecido acessível a todos. No século XIX, era exclusivo a elite europeia”, explica Miguel.

Para ele, a Kenner e a Èssis se conectam pela versatilidade. “Nos preocupamos muito com a funcionalidade, para que não seja algo só bonito, mas funcional, para usar no dia a dia. Apostamos na variedade de modelagens dentro de uma mesma peça, assim como a Kenner faz com as sandálias.”

Memórias e vivências

A marca Ventana, fundada em Santa Catarina, foi a responsável por representar a região Sul do país. Com histórias e memórias da infância da cantora Anitta e de Gabrielle Pilotto, fundadora e diretora criativa da marca, os figurinos simbolizaram as vivências de quando moravam, respectivamente, em Honório Gurgel e Pelotas, no Rio Grande do Sul. Valorizando o upcycling e a obra artesanal, os looks foram construídos com toalhinhas de cozinha antigas, lençóis, tapetes, cortinas e crochês.

“Acredito que resgatar materiais que iriam para o lixo é uma prova de que, assim como nas roupas, nem sempre o que parece perdido de fato está. Dar uma nova chance a um tecido é permitir que novas histórias sejam contadas. E esse é o meu vim de lá”, explica Gabrielle.

A Labo Young veio do Pará e refletiu seus sonhos e seu cotidiano nas peças. O artesanato com tramas e a cestaria foram destaques na apresentação, que também relembrou a “Galera da Kenner” (GDK) – coletivo da capital paraense que frequentava as aparelhagens com a sandália, definindo estilo e identidade.

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